O PENSADOR

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RODIN
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domingo, 18 de janeiro de 2015

KEPLER - AS TRÊS LEIS REGULADORAS DO MOVIMENTO DOS PLANETAS




Nasceu perto de Estugarda em 27 de Dezembro de 1571 e estudou na Universidade de Tubinga.
Dedicou-se inicialmente ao estudo da geometria euclidiana e da teoria de Copérnico.

Foi assistente de Tycho Brahe e sucedeu-lhe no cargo de astrónomo imperial.
Das próprias observações deste, tirou a mais importante confirmação da doutrina de Copérnico pela descoberta das leis reguladoras do movimento dos planetas.
As duas primeiras leis de Kepler foram publicadas na Astronomia Nova de 1609. A terceira surge no escrito Harmonices  Mundi de 1619.
Em 1627 publicou as Tabelas Rudolfinas, tabelas fundamentais dos planetas que começara a calcular 25 anos antes, quando ainda era assistente de Tycho Brahe.


LEIS DE KEPLER

PRIMEIRA (TAMBÉM CHAMADA LEI DAS ÓRBITAS) – Os planetas movem-se em torno do Sol descrevendo órbitas que são elipses, com o Sol situado num dos focos.

SEGUNDA (LEI DAS ÁREAS) – Diz-nos que uma linha que se estenda do Sol a um planeta, orientada nesse sentido, varre áreas iguais em intervalos de tempo iguais – A linha referida chama-se raio vector.

TERCEIRA (LEI HARMÓNICA) – Os quadrados dos períodos da revolução dos planetas em torno do Sol são directamente proporcionais aos cubos das suas distâncias médias ao Sol.




GALILEU - SIDEREUS NUNCIUS




Nasce em Pisa a 15 de Fevereiro de 1564. Estudou na Universidade desta cidade, onde veio a ensinar Matemática, disciplina que com a astronomia leccionou na Universidade de Pádua.

No Diálogo dos Grandes Sistemas do Mundo, Galileu procede à exposição das duas teses astronómicas então em confronto. Por um lado o geocentrismo ptolomaico e por outro o heliocentrismo desenvolvido por Nicolau Copérnico.

Nos Discursos sobre as Duas Novas Ciências, trata da teoria da coesão da matéria e da ciência do movimento.
Não podemos desprezar, bem pelo contrário, o Sidereus Nuncius, a que infra nos referiremos.

Defendeu desde cedo a hipótese copernicana.

Em bom rigor a investigação científica começa com Galileu. Já não lhe basta um raciocínio lógico. Experimenta e observa.

Na mecânica estuda o pêndulo, o plano inclinado, a queda dos corpos e os movimentos acelerados.
Demonstrou a falsidade da premissa aristotélica, segundo a qual os corpos caem com velocidade proporcional ao seu peso.

Descobriu as leis da balística – previsão da trajectória dos corpos lançados através de campo gravitativo.

Tudo leva a crer que o telescópio – luneta – foi uma invenção do holandês Hans Lippershey. No entanto, aperfeiçoando-o, apresenta-o em Veneza em 1609 – combinou uma lente convergente e outra divergente, de diferente distância focal.

No ano seguinte descobre os satélites de Júpiter, as fases de Vénus e observa as manchas solares.
Apercebe-se que a esfera celeste tem muito mais estrelas do que as visíveis a olho nu. Deu-se assim conta que a Via Láctea é um conjunto imenso de estrelas.
Observa montanhas na superfície da lua, cuja altura calcula por via das suas sombras.
Observando as fases de Vénus, deduz que o planeta gira à volta do Sol.
As manchas solares vêm demonstrar que o Sol gira sobre si próprio.
Resumiu todas as suas descobertas num livro de 28 páginas, o Sidereus Nuncius.

Em 1633 corre um processo contra si e é condenado em Roma, tendo sido obrigado a retractar-se e a rejeitar publicamente a teoria heliocêntrica:
“Eu Galileu (...) com 70 anos de idade (...) tendo diante dos meus olhos os sacrossantos Evangelhos que toco com as mãos, juro que sempre acreditei, que creio agora e, com a ajuda de Deus, continuarei a crer em tudo o que defende, prega e ensina a Santíssima Igreja Católica e Apostólica (...). A falsa opinião de que o Sol esteja no centro do mundo e não se mova  e que a terra não seja o centro do mundo e se mova (...) dela abjuro de coração sincero e não fingida fé (...), maldigo e detesto tais erros e heresias (...), e se conhecer algum herege ou suspeito de heresia denunciá-lo-ei a este Santo Ofício ou ao inquisidor do lugar onde me encontre (...). Assino de meu punho e letra a presente cédula de abjuração, que recitei palavra por palavra em Roma, no Convento Della Minerva , no dia de hoje, 22 de Junho de 1633”.

Morre a 8 de Janeiro de 1642.




FRANCIS BACON - FUNDADOR DO MÉTODO INDUTIVO - NOVUM ORGANUM





Bacon nasceu em 1561 e faleceu em 1626. É o fundador do método indutivo moderno. Sistematizou de modo lógico o procedimento científico.

O Novum Organum, é a obra pela qual o filósofo pretende renovar o método científico.

A sua filosofia era prática. No seu entender a ciência está destinada a gerar o domínio do homem sobre o mundo natural. Preconizou um método indutivo gradativamente ordenado, e pode ser considerado o percursor da técnica.

Julga que a religião deve estar apartada da filosofia, porquanto realidades distintas. Se a razão pode demonstrar a existência de Deus, existem temas teológicos que só são atingíveis pela revelação. Se o dogma parecer absurdo à investigação racional, maior será a vitória da fé. Neste sentido, defendeu a doutrina da dupla verdade – a derivada da razão e da revelação –, doutrina esta que foi condenada pela Igreja.

Desprezou o silogismo e rejeitou a teoria de Copérnico.

Considera a existência de três falsas filosofias:
- a sofística, em que o melhor exemplo é o de Aristóteles;
- a empírica, que é a filosofia dos alquimistas; e
- a supersticiosa, que é a que inadvertidamente se mistura com a teologia, tal como aconteceu com Pitágoras e Platão – a este último chamou mesmo, trapaceiro urbano, poeta enfatuado e teólogo mentecapto.




sábado, 17 de janeiro de 2015

ALBERICO GENTILE - CONTRA AS GUERRAS RELIGIOSAS





Nasceu no ano de 1552, falecendo em 1611. Foi professor de direito em Oxford.

A única guerra justa é a defensiva.

As guerras religiosas são injustas, porquanto não é pela violência que podemos fazer com que outrem professe a nossa fé.




GIORDANO BRUNO - A SANTA BURRICE





Bruno, naturalista – como veremos, o seu naturalismo assemelha-se a uma religião dionisíaca do infinito –, nasceu no ano de 1548. Com apenas 15 anos entrou em Nápoles para o convento dominicano onde foi considerado um prodígio intelectual. A partir dos 18 anos, começou a pôr em dúvida a tradição eclesiástica. No ano de 1592 foi preso pela Inquisição, e convidado repetidamente para se retractar – defendia que a religião apenas era ou poderia ser guia útil para os que estavam incapacitados de se dedicarem à filosofia –, nunca o fez. Em 1593 foi condenado à morte, tendo sido queimado vivo. Nos derradeiros momentos, conta-se que desviou o seu olhar do crucifixo, quando este lhe foi exibido para eventual reconciliação.

Obras:

O Banquete das Cinzas – Influenciado por Nicolau Copérnico, Bruno insurge-se contra as teses aristotélicas e ptolomaicas. Defende a existência de um universo infinito e esférico, com o seu centro em toda a parte e a sua circunferência em parte alguma. Sendo infinito, admite a existência de inumeráveis mundos.

Da Causa, do Princípio e da Unidade – Esta obra foi escrita na sequência da supramencionada, para afirmar que não tinha a intenção de pôr em causa a natureza divina, já que se o Universo é múltiplo, Deus é Uno.

O Infinito, o Universo e os Mundos – Com estes escritos, finaliza Bruno a sua cosmologia. O infinito está em toda a parte, é imóvel e pleno – e isto porque a sua ideia exclui qualquer lugar, qualquer movimento e qualquer vazio.
O infinito é duplo, qualitativa e quantitativamente, já que não tem qualquer limite e a divindade não criou apenas um único mundo finito, mas antes uma pluralidade deles, apesar da sua semelhança material.

Amava a vida. O convento era para si uma “prisão estreita e negra”.

A religião enquanto conjunto de crenças, era algo de absolutamente ilógico e absurdo, um sistema complexo de superstições e contradições racionais.

Bruno ataca o próprio cristianismo reformado, julgando-o ainda pior do que o catolicismo, ao negar a liberdade do homem.

À “santa burrice”, religiosidade implantada, aberrantemente discordante da razão, eivada de superstições e erros, opõe-se a dos doutos, que é a própria filosofia, forma de ascender a Deus, ser que não é cognoscível pelo intelecto.

A qualidade fundamental do Universo, dirigido e governado por Deus, é a infinitude – um dos temas preferenciais da sua especulação.

A investigação filosófica atinge o seu auge, quando o filósofo se identifica com a natureza – o que o diferencia do êxtase místico de Plotino.




ROBERTO BELARMINO - A FIGURA MAIS IMPORTANTE DA CONTRA-REFORMA





O cardeal Roberto Belarmino nasceu em 1542 e faleceu em 1621. É a figura mais importante da denominada contra-reforma, que teve o seu início no Concílio de Trento – onde ficou estabelecido que as Escrituras, por si, são insuficientes para a salvação; que a sua interpretação é um direito da Igreja e não do homem individual ou colectivamente considerado – e que preconiza o retorno às origens, ao período patrístico.

Belarmino, consultor do Santo Ofício, tomou assento no processo que foi instaurado a Giordano Bruno –  que terminou pela sua condenação à morte – e no primeiro que foi instaurado contra Galileu.

Defendeu com eloquência as decisões do Concílio de Trento e a infalibilidade do papa, bem como a sua superioridade à própria Igreja e ao Concílio. Apesar da sua autoridade ser espiritual e não temporal, por via da sua natureza suprema, afirma que o Papa detém o poder máximo na terra, equivalendo à sua capacidade para coroar ou até destronar reis.

A Igreja deveria regressar aos seus princípios mais perfeitos, e estes são os estabelecidos por S. Tomás.




PIERRE CHARRON - O HOMEM NÃO PODE ATINGIR A VERDADE





Charron nasceu em Paris em 1541 e faleceu em 1603. Amigo de Montaigne, nele buscou a sua inspiração.

Afirma três verdades substanciais:
- Há um único Deus;
- Há uma só religião verdadeira – a cristã;
- A única Igreja válida e verdadeira é a Católica.

A alma é corpórea, embora invisível e não sujeita à corrupção.

Só Deus pode atingir a verdade, só ele é Verdade. O homem, atentas as suas naturais limitações nunca a atingirá, e caso a atingisse, nunca poderia asseverar tal qualidade, estando assim votado a viver num estado de dúvida permanente – cepticismo.




MONTAIGNE - O RETORNO DO HOMEM A SI MESMO





Montaigne nasceu no ano de 1533, em França, tendo falecido em 1592.

Do filósofo, mencionamos as seguintes obras:

Apologia de Raymond Sebond – Esta obra faz transparecer a crise céptica que assola o filósofo, num mundo de novas descobertas que relegaram para o domínio das meras curiosidades as doutrinas dos pensadores consagrados como Aristóteles, Platão, Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino – v.g. o heliocentrismo de Nicolau Copérnico e as mais variadas experimentações científicas, e ainda as viagens que levaram à descoberta de novos mundos.
Contesta as teses do teólogo Sebond – Teologia Natural –, que fundava a fé na razão e colocava o homem no primeiro plano da criação. A razão não tem para Montaigne um valor de absoluta superioridade, e o homem está bem perto dos restantes animais.
Um tanto paradoxalmente – provavelmente como consequência do seu cepticismo –, faz a apologia do catolicismo e condena os protestantes, quer na sua teoria da livre investigação fundamentada na razão, quer responsabilizando-os pela desordem que grassava em França.

Ensaios – Nesta obra, Montaigne é o próprio objecto do seu livro. Trata-se de um conjunto de reflexões diversificadas – v.g. religiosas, políticas, acerca da morte.

É de realçar a sua meditação sobre a morte. Sendo inelutável nada podemos fazer contra ela. Se não a podemos aniquilar, podemos pelo menos aniquilar o medo que em nós gera. Saber morrer é a última fase, o canto do cisne de saber viver. Pela filosofia aprendemos a morrer.

A sua filosofia expressa a tentativa de fazer com que o homem retorne a si mesmo – o que tem plena identificação com a renovação objectivada pelo Renascimento

Influenciou Descartes e seguramente Pascal.

Está constantemente a observar-se e a observar o que o rodeia. Nos Ensaios, afirma a nível introdutório, ser ele o próprio assunto do seu livro. 

Não elaborou um sistema filosófico, mas toda a sua vida mais não foi do que um constante filosofar.
Inicialmente estóico, encaminhou-se para o cepticismo.

Tem uma péssima ideia do homem: “nada pode imaginar-se de mais ridículo do que este ser mesquinho, que não sendo dono de si próprio se afirma ingloriamente senhor e dono do universo, sem que conheça a mais ínfima parte deste. Como é que um ser tão miserável o poderia dirigir, quando nem sequer se conhece nem o conhece?

A morte é consequência directa da condição humana. Morremos não por que estejamos doentes ou por sofrermos um acidente, mas porque estamos vivos.
Quem teme o sofrimento, já sofre por antecipação o que teme. Ensinar os homens a enfrentar a morte, será ensiná-los a viver, já que vida e morte andam de mãos dadas na nossa miserável existência.

É por via da ideia da morte, que Montaigne diz gozar a vida duas vezes mais do que os outros. A sua iminência faz com que se empenhe numa vivência plena e profunda.




JOÃO BODIN - O ELOGIO DA TOLERÂNCIA RELIGIOSA




Bodin nasceu em 1530, tendo sido jurista em Paris.
Defende que a monarquia é o melhor dos governos, já que o rei cultiva a piedade, a justiça e a fé, contrariamente ao tirano, que não conhece Deus, fé ou lei.

Tal como Thomas More elogia a tolerância religiosa.




CALVINO - A PREDESTINAÇÃO




João Calvino nasceu em 1509 e faleceu em 1564.

Com a obra Instituição da Religião Cristã, prática e pedagógica, tem a firme intenção de preparar os fiéis.
Entre outros, dedica-se ao estudo de Deus, do homem, do Decálogo, do Credo, Padre-Nosso, fé, e penitência.

Considera que o livre arbítrio deve ser auxiliado pela graça divina.

Cada um deve carregar a sua cruz, conformando-se com a vocação que Deus lhe transmitiu.

Reformador, entende o retorno às fontes, como dirigido ao Antigo Testamento. Aliás, é de todo impossível compreender o Novo, em especial os Evangelhos, sem que se recorra ao Antigo Testamento.

O homem nada é no confronto com Deus, que é omnipotência e insondabilidade.

Deus decidiu desde sempre que homens haveria de destinar à salvação e os que destinaria à perdição, o que se fica a dever a um juízo imperscrutável e incompreensível, apesar de justo – predestinação – doutrina dos eleitos ou dos santos-vivos.




LUTERO - A REFORMA DO CRISTIANISMO - NÃO HÁ LIVRE ARBÍTRIO




Martinho Lutero nasceu no ano de 1483 e faleceu em 1546. É o mais acérrimo defensor da renovação ou reforma do cristianismo, mediante o regresso às suas fontes, à pureza do cristianismo primitivo.

Baseando-se nos Evangelhos, põe em causa as tradições da Igreja. Só o retorno à palavra de Cristo é válido, e assevera tal como S. Paulo que o justo viverá pela sua fé. Viver pela fé, implica negar a justificação desta pela razão, “que é a mais encarniçada e pestífera inimiga de Deus”.

Pela fé, o homem abandona-se integralmente à vontade divina, renunciando a toda a investigação. Compreende-se deste modo, que o único filósofo que não foi alvo dos seus violentos ataques tenha sido Guilherme de Occam – que a exclui da investigação filosófica por irracionalidade –, e que curiosamente denominou sofistas a todos, desde Aristóteles a S. Tomás de Aquino.

Reduziu os sacramentos a três, por apenas terem estes sido instituídos por Cristo: baptismo, penitência e eucaristia.

Com o De Servo Arbitrio, respondeu ao De Libero Arbitrio de Erasmo, defendendo o contra-senso de ser simultaneamente admitida a liberdade divina e a humana. Tudo o que acontece é porque Deus assim o quer, fruto da sua presciência e predeterminação. Quer o bem quer o mal, a salvação e a condenação, têm a sua origem em Deus. É pois, Deus, omnipotente e omnisciente que tudo ordena, tudo sendo produzido pela sua vontade, o que não deixa obviamente campo de acção ao livre arbítrio. 




FRANCISCO GUICIARDINI - A INUTILIDADE DA PREOCUPAÇÃO COM AS COISAS SOBRENATURAIS





Nasceu em 1482 e faleceu em 1540.

Na sua perspectiva é despicienda a excessiva preocupação de teólogos e filósofos com as coisas sobrenaturais. Estas não se vêem, são indemonstráveis, e sobre elas apenas se escrevem disparates que outra utilidade não têm para além de servir o lúgubre intento de cultivar o engenho, nada adiantando no caminho da verdade.

A sorte é a causa primordial dos acontecimentos e não a providência divina, que a existir, não nos é descortinável.

Os homens evitam pensar na morte, não obstante esta seja uma realidade que nos acompanha quotidianamente, de molde a que a vida não se transforme em algo insustentável.




THOMAS MORE - A UTOPIA - A LIBERDADE RELIGIOSA





Nasceu na cidade de Londres em 1480 e foi condenado à morte por decapitação, tendo sido executado no ano de 1535.

A sua obra Utopia, foi publicada em 1516 e é uma incitação à reforma da ordem social vigente em Inglaterra. Foram Platão e Tácito, respectivamente com A República e com A Germânia, quem mais influenciou More.

O conhecimento obtido pela razão, deve ser completado pela religião, já que aquela é de todo insuficiente para conduzir o homem na direcção da felicidade.

Há um Deus que criou o Universo, e que por todos é reconhecido, e venerado segundo as crenças de cada um. Para além do cristianismo, qualquer outra fé é admitida de bom grado, apenas sendo condenável a intolerância religiosa – cada homem pode crer no que bem entender, desde que não negue as doutrinas atinentes à imortalidade da alma e da providência divina.

A alma é imortal e Deus destinou-a à eterna felicidade, como prémio do comportamento nesta vida – está também sujeita ao castigo.




NICOLAU COPÉRNICO - DE REVOLUTIONIBUS ORBIUM CELESTIUM





Nasceu em 1473 e faleceu em 1543. Estudou nas Universidades de Cracóvia, Bolonha e Pádua, doutorando-se em direito canónico, em Ferrara.
Por volta de 1510 exerceu as profissões de cónego, médico e astrónomo.

Escreveu: Reli todos os livros de filosofia que pude encontrar para saber se alguém, alguma vez, pensou na existência de movimentos das esferas do mundo diferentes do que pretendem aqueles que ensinam, nas escolas matemáticas.
Encontrei (...) que Nicetas pensava que a terra era móvel, como também (...) Heraclides do Pontico e Ecfantes Pitagórico. 
Não nos esqueçamos no entanto, de Aristarco de Samos, que mencionámos na introdução, custando-nos a acreditar que Copérnico desconhecesse as suas teses.

Até ao Renascimento, a doutrina e os ensinamentos da Igreja sobre o mundo natural baseavam-se na obra do filósofo grego Aristóteles, o que significava em astronomia considerar o cosmos como uma esfera fechada e delimitada, com a terra no centro. A pormenorização desta teoria, ficou a dever-se ao astrónomo egípcio Claudio Ptolomeu, que fez os possíveis e impossíveis para descrever os movimentos dos astros através de órbitas rigorosamente circulares, perspectiva que tinha sido bem aceite pela Igreja, porquanto coincidente com o conteúdo das Sagradas Escrituras.

Em 1530, convencido da superioridade do sistema heliocêntrico, escreveu o “Comentariolus” – resumo das suas teorias – que circulou entre os seus amigos. 
Só dez anos mais tarde se decidiu a publicar a sua obra fundamental, De revolutionibus orbium celestium com prefácio de Osiander, que por sua conta e risco, face aos seus escrúpulos quanto à matéria bíblica avisou os leitores que o conteúdo da obra deveria ser interpretado como simples hipótese.
Consta que um exemplar impresso da obra chegou às mãos de Copérnico poucas horas antes da sua morte, no ano de 1543. 

Demonstrou como todas as dificuldades que a cosmologia aristotélica encontrava na explicação do movimento aparente dos astros se resolviam facilmente admitindo que a terra gira em torno de si mesma, em vez de a considerar o centro imóvel dos movimentos celestes.
Reconheceu os movimentos da terra: diurno em torno do próprio eixo, e o anual em torno do Sol.




MAQUIAVEL - PRECONIZA UM REGRESSO ÀS ORIGENS NA POLÍTICA E NA RELIGIÃO





Maquiavel nasceu em 1469 e faleceu em 1527.

Autor do Príncipe e da Arte da Guerra, foi a primeira obra que mais o celebrizou. Escreveu ainda os Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio.

Preconiza em política o regresso às origens. O mesmo no que à religião respeita. Julga que religião cristã estaria votada ao seu completo desaparecimento caso não se tivesse operado o regresso às origens, quer pela doutrinação e exemplo de S. Francisco de Assis quer pela de S. Domingos – fundadores das ordens mendicantes –, que pela efectiva imitação de Cristo lhe imprimiram uma energia que se havia dissipado como nefasta consequência de maus costumes e vergonhosa opulência.




ERASMO - NEM CONTRA NEM A FAVOR DA REFORMA...




Erasmo nasceu em Roterdão no ano de 1466. Em 1492 foi ordenado padre. Senhor de um espírito extraordinariamente livre, não aceitou durante toda a sua vida quaisquer cargos, nem apoiou Lutero quando a Reforma foi desencadeada – mas também a não condenou.
O Elogio da Loucura é a sua obra mais conhecida. Com ela, critica de modo algo divertido, as indulgências, a devoção exterior ou formal, sem correspondência real e interior. A Loucura, diz que Cristo prometeu a herança do Pai, não a frades, a rezas, à abstinência, mas aos que praticam a caridade e que desconhece os que se vangloriam das suas obras, considerando-as tão meritórias que querem parecer mais santos do que ele mesmo.
A verdadeira religiosidade é a fé e a caridade. As suas críticas e condenações atingem não só a Igreja quanto o próprio papa. Afirma que das cerimónias nascem as dissensões e da caridade a paz.

Preconiza a renovação do cristianismo, mediante o regresso às suas fontes, à pureza do cristianismo primitivo.
A sua doutrina é a da Reforma. No entanto, no que respeita ao livre arbítrio, não se conformou com a tese de Lutero – que afirmava estar a vontade humana intimamente dependente de Deus – publicando como resposta o De Libero Arbitrio.




PICO DELA MIRÂNDOLA - O ADVERSÁRIO DA ASTROLOGIA





João Pico pertencia à família dos condes de Mirândola, tendo nascido no ano de 1463. Estudou em diversas universidades italianas. Em 1484 instala-se em Florença. Frequentou com Lourenço de Médicis a academia de Ficino. Na sequência da publicação das suas teses, em 1846, é perseguido pela Cúria. Foge para Paris onde acaba por ser preso no ano de 1488. Ordenado terciário dominicano, em 1493, morre envenenado por um familiar no ano seguinte.

É de realçar a obra Novecentas Conclusões, cuja doutrina foi na quase totalidade declarada herética. As conclusões foram essencialmente extraídas dos pensadores que o antecederam, nomeadamente, gregos, latinos e árabes.

A sua especulação é dominada pelo interesse religioso. Considera que a teologia é a arma capaz de dar ao homem a paz santíssima, a paz celeste anunciada pelo cristianismo.

Pelo regresso a si mesmo, o ser humano obtém a beatitude terrena, enquanto que regressando a Deus, obterá a felicidade, a vida eterna e a paz suprema.

Condenou com veemência e com fortes argumentos a astrologia – atente-se que,  ao mesmo tempo que Aristóteles, no mesmo lugar, nasceram muitos outros homens, que não possuíam quer a sua capacidade quer a sua propensão para a investigação filosófica.




POMPONAZZI - O MITO DO CÉU E DO INFERNO





Fundador da Escola dos Alexandristas, nasceu em Mântua no ano de 1462.

Ficou célebre o seu Tratado da Imortalidade da Alma. É uma obra polémica discutida durante dois séculos, já que punha em causa a imortalidade da alma, senão, numa visão cristã, ou seja, segundo a fé, ou pelo menos segundo a razão.

No seu entender, a alma humana não pode existir sem o corpo. A negação da sua imortalidade não conduz à abolição da vida moral – por inexistirem prémio ou castigo na outra vida, em função do mérito ou demérito das acções humanas –, porquanto quer a virtude quer o vício ou pecado têm o prémio ou castigo em si mesmos. Assim, não há virtude que não seja premiada, nem pecado que não sofra castigo.

Tem consciência de que muito poucos são os homens que agem como consequência de uma pura exigência moral, sem que tenham em mira um prémio de conduta. Por esse motivo, os fundadores das religiões criaram as ilusórias figuras do Céu ou Paraíso e do Inferno. 




FICINO - PROMOVEU A UNIÃO DA FILOSOFIA COM A RELIGIÃO




Ficino nasceu no ano de 1433. Foi acometido por grave doença, buscando na filosofia o alívio dos seus males. No entanto, curou-se depois de ter feito uma promessa à Virgem Maria. A partir daí, a sua filosofia passou a estar ao serviço da religião. Assim, procurou exaustivamente conciliar e promover a união da filosofia com a religião. 

No ano de 1462 fundou em Florença uma academia onde se traduziam e comentavam os textos platónicos. Um dos seus mais prestigiados ouvintes é Lourenço de Médicis. Foi ordenado no ano de 1473.

Mencionamos duas obras:

Da Religião Cristã – Acredita numa religião natural, existindo um Deus universal, que é venerado por todos, seja qual for a sua crença.

Teologia Platónica – Ficino julga que a filosofia verdadeira é a de Platão e não a de Aristóteles. Com ligeiras mudanças, os platónicos seriam cristãos.
Afirma a imortalidade da alma, sem separar filosofia e religião.

Entende com Nicolau de Cusa, que o homem deve ser apenas aquilo que é.

Na realidade, encontra cinco essências:
- o corpo;
- a qualidade;
- a alma;
- o anjo; e
- Deus.

Deus ama o mundo. O homem seria incapaz de amar Deus, se este o não amasse.

A alma, indestrutível, imortal, como essência mediana ou desce de Deus para o corpo ou ascende deste para Deus.




LOURENÇO VALLA - O HOMEM DEVE ENCARAR A RELIGIÃO COM LIBERDADE





Nasceu na cidade de Roma no ano de 1407 e faleceu na mesma cidade em 1457.

O homem deve encarar a religião com a liberdade possível, perseguindo Deus sem os obstáculos decorrentes das limitações impostas pelo comunitarismo excessivamente rígido e regulamentado da vida monacal.

Coloca o prazer acima de tudo; ele é a finalidade da vida, e a virtude a escolha do que nos é agradável. Nesta sede, podemos orientar-nos pelos prazeres materiais ou divinos, por estes optando o cristão, mesmo com o risco dos terrenos o não assistirem. Aí, o verdadeiro cristão, não se deve insurgir contra Deus, com o falacioso argumento de que os justos são bastas vezes muito mais infelizes do que os iníquos, mas antes, em função da sua renúncia aos bens do mundo, aceitar com humildade e espírito de sacrifício a sua condição.