O PENSADOR

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RODIN
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

LEIBNIZ - UM FILÓSOFO APAIXONADO PELO SEU DEUS FILOSÓFICO - O ADVOGADO DE DEUS



Leibniz foi um filósofo controverso, que procurou abranger na sua vasta obra todas as ciências do seu século. Para uns, um filósofo e matemático excelente, para outros, um alquimista, um esotérico, complexo e de difícil compreensão. Mas, um filósofo, cuja demanda fundamental se prende com a existência de Deus. Um filósofo apaixonado pelo seu Deus filosófico.
Nos Ensaios de Teodiceia, debate a antiquíssima questão – veja-se, nomeadamente, o Livro de Job – da relação do mal com Deus.

Se Deus é o que de mais perfeito existe, se é bondade, omnisciência e omnipotência, porque permite tanto sofrimento físico e psicológico, crueldades, injustiças?

Os Ensaios tiveram irónica réplica de Voltaire, na obra Candide, que representou Leibniz na pessoa do Dr. Pangloss, que perante todas as calamidades e crueldades do mundo, refere com constância que tudo ocorre para o melhor no melhor dos mundos. Também no extenso poema que escreveu sobre o terramoto de Lisboa de 1755, volta a atacar frontalmente o optimismo de Leibniz.

Ao que parece, Leibniz julga que Deus escolheu o mais perfeito dos mundos possíveis, mundo esse, que não sendo perfeito é o que mais se aproxima da perfeição.
Desta opinião não comunga Aristóteles, quando afirma que seria melhor não termos nascido, mas que se tal ocorreu, o melhor será morrer quanto antes.
Esta é uma questão que não nos abandona, principalmente em épocas de crise. Na noite escura dos dias, é a interrogação que nos domina ao adormecer, muito em especial, quando confrontados com todo o sofrimento que emana deste planeta, fruto da natureza ou das mãos do homem, em regra, criatura vil e mesquinha, carrasca do seu semelhante. E mais nos assoberba, na aproximação de nova catástrofe.

Será que de um Ser absolutamente perfeito poderá nascer algo tão imperfeito como o mundo em que vivemos? Será que um Ser omnipotente permitirá a execução de tantas e tamanhas atrocidades cometidas contra os desvalidos? Será que um Ser omnisciente não conseguiu prever o sofrimento que a sua criação iria causar? Seria esse Ser impotente para conjecturar e dar à luz, um mundo quase perfeito e não o inferno que gerou para a maioria da humanidade?

Leibniz, é mais do que um optimista, é um excelente advogado de Deus. Pena é, que não me conforte e permita adormecer na sua “fé filosófica”.




PORQUE EXISTE ALGUMA COISA EM VEZ DE NADA? - PORQUE HÁ DEUS



Porque é que existe alguma coisa em vez de nada? Porque há Deus. “Não há vazio, logo há um Deus” (Pascal). Interessante, mas pouco convincente.




domingo, 18 de janeiro de 2015

LEIBNIZ - TEODICEIA - PORQUE EXISTE ALGUMA COISA EM VEZ DE NADA?




Gotfried Leibniz nasceu em Leipzig no ano de 1646. Faleceu em 1716. Defendeu uma tese de filosofia em 1663 e em 1666, uma de direito.

Algumas obras:

Confessio Philosophi – É uma profissão de fé do filósofo. Leibniz, interroga-se sobre a vontade divina, a existência do mal e do bem, do pecado.

Discurso de Metafísica – Pretende explicar a Criação como acto de Deus.

Da Origem Radical das Coisas – No Universo há ordem e Deus é o princípio de tudo, a razão da nossa existência. Na sua essência, existe uma pretensão de ser, que faz com que o mundo exista.

Ensaios de Teodiceia sobre a Bondade de Deus, a Liberdade do Homem e a Origem do Mal – A Teodiceia – nova palavra do vocabulário filosófico – é a tentativa de isentar Deus dos muitos males do mundo. Deus é inocente (Platão) e criou o melhor dos mundos possíveis.

Princípios da Natureza e da Graça Fundados na Razão – Síntese de toda a filosofia de Leibniz, nos domínios da metafísica, física e moral.

Monadologia – É a obra mais importante da metafísica de Leibniz. De leitura obrigatória.

Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano – Trata-se de uma crítica ao Ensaio sobre o Entendimento Humano, de Locke.
Discute, nomeadamente, a doutrina da alma como “tábua rasa”, aproximando-se dos conceitos platónicos, obviamente negando a doutrina de Locke. O Livro I é dedicado às noções inatas, o II trata das ideias, o III das palavras – ou nomes das ideias – e o IV do conhecimento.
Leibniz criticou com veemência o empirismo de Locke. Ao conceito de tabula rasa, respondia que “não existe nada no entendimento que precede os sentidos, a não ser o próprio entendimento”.

Descartes admitiu três substâncias: Deus, espírito e matéria. Espinoza admitiu Deus e Leibniz um número infinito a que chamou mónadas.

O seu interesse fundamental objectivou-se na matemática e na física. Descobriu independentemente de Newton – este com dez anos de antecedência – o cálculo integral.

Estabeleceu quatro argumentos para demonstrar a existência de Deus: o ontológico, o cosmológico, o das verdades eternas e o da harmonia preestabelecida.
- Ontológico – Podemos conceber um Ser maximamente perfeito. De onde se segue que existe, porque a existência está entre o número das perfeições;
- Cosmológico – Argumento da causa primeira. Se toda a coisa finita tem uma causa, não poderá manter-se uma sucessão infinita de causas. Haverá assim, uma causa sem causa, que é Deus. Em Leibniz, como tudo tem de ter uma razão suficiente, a do Universo será Deus;
- Das verdades eternas – As proposições que respeitam à essência e não à existência, ou são sempre verdadeiras ou nunca o são. As que são sempre verdadeiras, são indubitavelmente verdades eternas;
- Da harmonia preestabelecida – Pressupõe a aceitação das mónadas. Se os relógios marcam de forma igual o tempo sem intervenção causal, deverá existir uma causa que os regula do exterior. 

O Deus de Leibniz é um Ser absolutamente perfeito, de amor ilimitado. A sua essência contém a existência, pelo que “a possibilidade é suficiente para produzir realidade”. O procedimento de Deus não contraria os imperativos lógicos.

O pensamento de Leibniz está enformado pela ordem, tecida de forma espontânea e livre – não necessária –, considerando que no mundo nada acontece de modo absolutamente irregular. Daqui decorre, que Deus, ao criar o mundo, podendo optar por uma forma ou por outra, sempre este estaria regulado por uma ordem de carácter geral. Não obstante, Deus, entre as várias ordens possíveis, fez a escolha mais perfeita – ou seja, a mais simples e mais rica de fenómenos. Assim, podendo criar uma infinidade de mundos, criou através de escolha incondicionalmente livre, o melhor. 

Deus é a causa livre do Universo. Daí a mais complexa das questões metafísicas: porque existe algo em vez de nada?

Deus, primeira razão das coisas, é um Ser necessário, perfeito, imbuído de amor infinito. Por via deste amor, criou como já se disse, o melhor mundo que poderia ter criado. 

Leibniz, distingue a vontade antecedente de Deus, da consequente, querendo a primeira o bem em si e a segunda o melhor.

O pecado, ao fazer parte da vida, é permitido por Deus. Mas, não é por o permitir que é a sua causa ou o responsável pela sua existência.

A alma é a mónada – vide Monadologia – que tem percepções distintas, acompanhadas de memória.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

PORQUE EXISTE ALGUMA COISA EM VEZ DE NADA?




Porque existe alguma coisa em vez de nada? Esta é talvez a questão maior da filosofia, objecto de pensadores de todos os tempos e geradora de uma profunda angústia existencial. Princesa da metafísica, tem recebido múltiplas respostas, que ressoam mas não permanecem. Por existir um ser pensante é que a pergunta é formulada, de contrário reinaria o silêncio absoluto, sem desespero, inquietações e dúvidas.
Leibniz, responde-lhe com recurso ao conceito de mónada, substância simples, sem forma, sem partes, sem janelas e portas, mas sensível ao universo e ao poder de Deus.
Para este filósofo nada se produz sem uma causa evidente, suficiente – o que consubstanciará o grande princípio do porquê.
Partimos assim, da prova da existência de Deus. E podemos fazê-lo por força da fé, da teologia mística e da razão com argumentos diversos do exposto. Ao fazê-lo ocultamos parte da questão formulada. Se Deus existe, o que resta indagar é o que está para além dele ou até, ele mesmo. Ou seja, a justificação da existência do mundo na sua pluralidade, por via de existência na essência divina, criação ou de causa fortuita. Em rigor, a existência do mundo, seja Deus, uma sua manifestação ou algo diverso dele, mas tocado em todos os seus pontos pela sua presença, poderá ou não implicar o acto da criação.
Podemos perguntar-nos: Deus existe? E se existe porque é que existe? E se existe, para além do mais, é ele o próprio mundo? Ou criou-o? E se o criou, o que é que o levou a fazê-lo?
Se existe, onde podemos encontrar a sua causa?




domingo, 11 de janeiro de 2015

LEIBNIZ E A TEODICEIA




Da história, principalmente da judaica, retiraram filósofos e teólogos, a certeza de que Deus usa o mal para daí fazer nascer o bem. Santo Agostinho pensa que Deus nada deixaria subsistir de mal na sua obra, se na sua omnipotência e bondade não tivesse a intenção de fazer derivar o bem do mal.
Como é astuto o pensamento! Que estranha forma de reconciliação entre o homem “religioso”, crente num Deus que tem em si a ideia suprema de Bem, com a inevitabilidade do mal.
O mal é tão omnipotente no mundo, quanto Deus na especulação dos metafísicos e teólogos. Como é que poderemos fundamentar tal facto? Se Deus tem em si, todo o poder – mesmo o inimaginável –, se ele é a ideia suprema de Bem – para usarmos a terminologia platónica –, como pode permitir o mal? Iremos retirar-lhe o atributo da omnipotência? Ou muito simplesmente, de forma infantil, atribuímos o mal a uma outra “divindade”, a um demónio, a Satanás? Podemos gerar a premissa, que a criação do homem – criação que só se pode compreender como acto de amor –, faz-se intrinsecamente acompanhar do seu livre arbítrio, para que o Bem ou Deus seja atingido pela maioria dos seres racionais criados. Um novo argumento, engenhoso a uma primeira aproximação. Mas, na sua omnisciência, não terá o Ser Supremo previsto que tipo de mundo viria a existir atenta a imperfeita natureza dos entes racionais que gerou? E que ascender a si, restaria destinado a um punhado de eleitos?
Não terão cabimento, nesta sede, as palavras de Epicuro? E isto apesar dos argumentos se restringirem aos efeitos da criação de um mundo onde o mal habita, sem que se considere o próprio acto da criação, já predestinada à fatal apropriação daquele:
A divindade, ou quer suprimir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode é impotente; e a divindade não o pode ser. Se pode e não quer, é invejosa, e a divindade não o pode ser. Se não quer e não pode, é invejosa e impotente, portanto não é divindade. Se quer e pode (que é a única coisa que lhe é conforme) donde vem a existência dos males e porque não os elimina?
Leibniz, criador da palavra teodiceia – que pretende demonstrar pela razão que não podemos imputar a Deus os múltiplos erros do mundo –, elaborou um conjunto de argumentos, intentando demonstrar que Deus criou o melhor dos mundos, e que na ordem é natural que exista alguma desordem, ou seja, o mal, sob pena daquela ser imperfeita – se o mundo fosse bom e só bom, seria imperfeito, já que a dissonância gera muitas vezes na composição musical, a harmonia.
Mais uma vez a argúcia falaciosa do pensamento…