O PENSADOR

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RODIN
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sábado, 20 de abril de 2024

SCHOPENHAUER – UM MUNDO TÃO MAU QUANTO O IMAGINÁVEL


Schopenhauer é um filósofo pessimista que diverge de Leibniz e de todos os filósofos optimistas. 


Para si, o mundo é algo de horrível. Melhor seria que nunca tivesse existido, tal como os seres humanos.


Em vez de termos um mundo tão bom quanto possível, temos um tão mau quanto imaginável.

 

KARMA E SAMSARA – O PROBLEMA DO MAL NO MUNDO


Segundo os orientais, o karma e o samsara resolvem o problema do mal no mundo. 


Poderá alguém culpar Deus das misérias e tormentos deste mundo, quando eu sou hoje o resultado do que fui ontem e a minha vida actual não é mais do que o resultado das minhas vidas anteriores (samsara)?

Nesta perspectiva, não reconhecer o karma e o samsara seria definir o universo como algo extremamente injusto.


Apenas a acção que não é motivada pelo ódio, pela ganância e pelo desejo pode libertar o ser humano conduzindo-o à libertação, porque está liberta do karma.


sexta-feira, 1 de março de 2024

VOLTAIRE CONTRA O OPTIMISMO DE LEIBNIZ - A NATUREZA DO HOMEM

 


Voltaire, contrariando a tese dos filósofos optimistas, em especial de Leibniz, que via no mundo a eterna bondade de Deus, escreveu na sua obra “Cândido”:

“Então com que fim foi este mundo formado? Disse Cândido.

- Para nos meter raiva, respondeu Martinho.

- Não estranhastes, continuou Cândido, o amor daquelas duas moças do país dos Orelhudos tinham por aqueles dois macacos (seus amantes) cuja história vos contei?

- De todo, disse Martinho; não vejo que tem essa paixão de estranho; vi tantas coisas extraordinárias que já nada é extraordinário.

- Acreditais, disse Cândido, que os homens sempre se massacraram como hoje em dia, que sempre tenham sido mentirosos, tratantes, pérfidos, ingratos, bandidos, frouxos, frívolos, cobardes, invejosos, gulosos, bêbados, avaros, ambiciosos, sanguinários, caluniadores, debochados, fanáticos e tolos?

(…)

Martinho disse: - Se os gaviões sempre tiveram o mesmo carácter, por que razão quereis que tenham os homens mudado o deles?


***

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

LEIBNIZ - UM FILÓSOFO APAIXONADO PELO SEU DEUS FILOSÓFICO - O ADVOGADO DE DEUS



Leibniz foi um filósofo controverso, que procurou abranger na sua vasta obra todas as ciências do seu século. Para uns, um filósofo e matemático excelente, para outros, um alquimista, um esotérico, complexo e de difícil compreensão. Mas, um filósofo, cuja demanda fundamental se prende com a existência de Deus. Um filósofo apaixonado pelo seu Deus filosófico.
Nos Ensaios de Teodiceia, debate a antiquíssima questão – veja-se, nomeadamente, o Livro de Job – da relação do mal com Deus.

Se Deus é o que de mais perfeito existe, se é bondade, omnisciência e omnipotência, porque permite tanto sofrimento físico e psicológico, crueldades, injustiças?

Os Ensaios tiveram irónica réplica de Voltaire, na obra Candide, que representou Leibniz na pessoa do Dr. Pangloss, que perante todas as calamidades e crueldades do mundo, refere com constância que tudo ocorre para o melhor no melhor dos mundos. Também no extenso poema que escreveu sobre o terramoto de Lisboa de 1755, volta a atacar frontalmente o optimismo de Leibniz.

Ao que parece, Leibniz julga que Deus escolheu o mais perfeito dos mundos possíveis, mundo esse, que não sendo perfeito é o que mais se aproxima da perfeição.
Desta opinião não comunga Aristóteles, quando afirma que seria melhor não termos nascido, mas que se tal ocorreu, o melhor será morrer quanto antes.
Esta é uma questão que não nos abandona, principalmente em épocas de crise. Na noite escura dos dias, é a interrogação que nos domina ao adormecer, muito em especial, quando confrontados com todo o sofrimento que emana deste planeta, fruto da natureza ou das mãos do homem, em regra, criatura vil e mesquinha, carrasca do seu semelhante. E mais nos assoberba, na aproximação de nova catástrofe.

Será que de um Ser absolutamente perfeito poderá nascer algo tão imperfeito como o mundo em que vivemos? Será que um Ser omnipotente permitirá a execução de tantas e tamanhas atrocidades cometidas contra os desvalidos? Será que um Ser omnisciente não conseguiu prever o sofrimento que a sua criação iria causar? Seria esse Ser impotente para conjecturar e dar à luz, um mundo quase perfeito e não o inferno que gerou para a maioria da humanidade?

Leibniz, é mais do que um optimista, é um excelente advogado de Deus. Pena é, que não me conforte e permita adormecer na sua “fé filosófica”.




NA SOCIEDADE ACTUAL A DESCONFIANÇA É UMA VIRTUDE



Tanta erva ruim nos campos ocupando-os sem misericórdia.
Tanta erva boa crestada pela geada.
O que é mau viceja.
Na sociedade actual a desconfiança é uma virtude.




COMO É FÁCIL DAR CONSELHOS E DIFÍCIL EXERCER A CARIDADE



Como é fácil dar conselhos. Como é fácil emitir juízos de valor quanto ao mérito ou demérito das acções de outrem. Mas, quantos são os que prestam o leal auxílio aos que criticam? Preferem vilipendiá-los, calcando-os, para que do solo não se ergam obstando à sua actividade predilecta, a maledicência.




SER FELIZ É TER O BEM DENTRO DE SI



Ser feliz é ter o Bem dentro de si.




TOLOS E HOMENS DE BEM ASSEMELHAM-SE



Os tolos assemelham-se bastas vezes aos homens de bem, e assemelham-se na sua ingénua credulidade. Aí, ambos, constituem-se como apetecido património de vigaristas, ladrões, velhacos e burlões, que à sua custa se divertem e enriquecem.




O MAL FAZ PARTE DA NATUREZA HUMANA



O mal faz parte da natureza humana, como o Sol do sistema solar. “A julgar pelos nossos desejos inconscientes, não somos mais do que um bando de assassinos.” (Freud)





domingo, 18 de janeiro de 2015

SOMOS AMBICIOSOS, CIUMENTOS, VAIDOSOS, INVEJOSOS, HIPÓCRITAS E ORGULHOSOS




É um facto de que somos ambiciosos, ciumentos, vaidosos, invejosos, hipócritas e orgulhosos.
Será que se assim não fosse, nada de grandioso teria sido feito no que chamamos “civilização”, vivendo ainda os homens como pastores ou agricultores pré-históricos?
Talvez Kant tenha razão. Mas, antes pastor num mundo sem vícios, sem criminosos da humanidade e de delito comum, corruptos, ladrões e oportunistas, do que “homem civilizado”, num mundo miserável a cujos males todos fechamos os olhos, cúmplices de um número incomensurável de atrocidades, e que de grandioso nada tem.
Se é o mal o ventre gestante do progresso, então, deste, fica explicada a sua dúbia natureza. 
Se nada de grande foi realizado no mundo sem paixão (Hegel), não deveremos questionar-nos em primeiro lugar quanto à natureza do que é grandioso? Podemos estar a constatar grandiosas deformidades morais ou verdadeiras monstruosidades. Somos nós que construímos a história. Mas que história é esta? A do mal que se converte em bem, do mal, puro e simples ou de um mal hipoteticamente sem validade própria?




A SUPERSTIÇÃO - A ARMA DO HOMEM DO SÉCULO XXI



Estamos obcecados pelo mal no mundo e pelo que nos atinge. Não havendo forma de o exorcizar, pela constatação da fraqueza dos deuses, o ser humano recorre cada vez mais às artes divinatórias, às bruxas e bruxos do século XXI. Portador de crédula racionalidade a raiar os limites da irracionalidade, o homem é um ente pré-histórico revestido de novas tecnologias, um estulto que usa como arma de arremesso contra a angústia existencial e contra o desespero, a superstição.




O DUALISMO MANIQUEÍSTA



Não podendo exterminar o mal, a sociedade contemporânea, ignorante e supersticiosa, fez renascer Satanás. Adere cegamente ao que Santo Agostinho renunciou há séculos: o dualismo maniqueísta.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A MENTIRA JUSTIFICADA




A mentira se é um mal, não deixa de ter motivos que a justifiquem em determinadas circunstâncias, ou seja, quando previna um mal maior do que ela mesma.




O MELHOR DOS HOMENS PODE TRANSFORMAR-SE NO PIOR DELES




O melhor dos homens, com as suas irrepreensíveis virtudes, é também capaz, de em determinadas circunstâncias, ser portador dos maiores defeitos.




quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

SE DEUS NÃO EXISTE AGE SEGUNDO A TUA CONSCIÊNCIA



Se Deus não existe, então, apenas te é permitido agir em conformidade com a tua consciência. A sua eventual não existência não legitima toda e qualquer acção.




NÃO HÁ FINALIDADE QUE JUSTIFIQUE O MAL NO MUNDO



Não há finalidade que justifique o mal no mundo. Teólogos, filósofos e revolucionários – a revolução é a modificação de um estado de coisas, não a sua destruição – tropeçam nos seus próprios argumentos.
Num realismo pouco confortável, constatamos que temos de conviver com tal maleita, como quem padece de doença crónica. 
Mas, não teremos de a combater, tendo por única arma a solidariedade humana (Lacroix)?
No entanto, perguntemo-nos: onde habita essa solidariedade, a solidariedade real, não a inventada pelas nossas mentes na busca de autoconsolo? Nos delitos, nos crimes mais horrendos, na opressão dos desfavorecidos pelos seus governantes, no egoísmo, na procura do lucro fácil, no poder instituído, na inveja, na falsa compaixão? Afinal, naquilo que somos, nessa nossa natureza, que mais não vê do que o próprio umbigo e deseja ou consente a desgraça alheia?
O mal só pode ser dissipado, por cada um de nós, em nós mesmos. Tudo o resto são promessas falazes de abjectos vendilhões da felicidade. E, como é fácil discursar acerca da felicidade!




A FUNÇÃO DA ARTE



A arte defende-nos, “exorciza-nos do mal”, como diz Nietzsche. Mas só a obra que não tem princípio nem fim manifesta esse poder.




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

PECADOR COM CONSCIÊNCIA DOS SEUS PECADOS



Mais do que um santo, quero ser um pecador que convive com pecadores, mas com consciência dos meus “pecados”.





O VALOR DA VIDA



A vida de um homem tem o seu valor aferido pelas suas acções, enformadas pela justiça e pela coragem.
Não se mede em tempo, mas antes, por vivências e pelo bem que a enforma. Assim, o mais importante não é viver, mas viver em conformidade com o bem.
É tão apressada, que a sua maior ou menor brevidade nos deve ser indiferente.