O PENSADOR

O PENSADOR
RODIN

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

COMECEMOS DESDE JÁ A QUEIMAR OS NOSSOS LIVROS



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A teologia e a filosofia transformaram os homens em meros teóricos da vida – não se entenda aqui homem prático como aquele que afastou todo o “alimento” do espírito.

As questões metafísicas fundamentais não são atingíveis pela razão. Por muito que nos repugne, a melhor das metafísicas é não ter metafísica nenhuma, reduzindo o pensamento à sua verdadeira insignificância e abandonando de modo definitivo todas as infantilidades que têm assoberbado a “criança” humana desde os primórdios daquilo que apelidamos de civilização. 

No dia 6 de Dezembro de 1273 – dia da festa de S. Nicolau de Bari – S. Tomás de Aquino encontrava-se no convento de Nápoles, onde celebrava missa. Aí, terá tido uma experiência mística, após a qual abandonou de imediato a finalização da Suma Teológica, nada mais escrevendo até à sua morte.
Instado sobre o facto de não a terminar e de mais nada escrever, limitou-se a responder: “Já não posso mais, porque tudo o que escrevi me parece palha.”
É este o maior ensinamento que julgo ter recebido do Santo. 
Também eu sinto e afirmo com a certeza possível, que tudo o que tenho escrito, excepcionando-se porventura, os livros e artigos médicos, pouco mais é do que palha. A poesia, essa, é o meu "divertimento".

Não nos iludamos. Estamos sós. Temos de o compreender, não apenas superficialmente, mas na profundeza do nosso ser. Estamos sós nessa caminhada para algures ou para lado nenhum.

Comecemos desde já a "queimar" os nossos livros.





UM ÚNICO MOMENTO DE PÂNICO FAZ DO HOMEM UM FARRAPO



Um único momento de pânico é susceptível de destruir no homem toda a sua aparente grandeza, projectos, ilusões, desejos e alegrias.




PREFIRO QUE SEJA DEUS A JULGAR-ME DO QUE EU A MIM MESMO



Prefiro que seja Deus a julgar-me do que eu a julgar-me a mim mesmo. Tenho sido sempre impiedoso para comigo.




LEIBNIZ - UM FILÓSOFO APAIXONADO PELO SEU DEUS FILOSÓFICO - O ADVOGADO DE DEUS



Leibniz foi um filósofo controverso, que procurou abranger na sua vasta obra todas as ciências do seu século. Para uns, um filósofo e matemático excelente, para outros, um alquimista, um esotérico, complexo e de difícil compreensão. Mas, um filósofo, cuja demanda fundamental se prende com a existência de Deus. Um filósofo apaixonado pelo seu Deus filosófico.
Nos Ensaios de Teodiceia, debate a antiquíssima questão – veja-se, nomeadamente, o Livro de Job – da relação do mal com Deus.

Se Deus é o que de mais perfeito existe, se é bondade, omnisciência e omnipotência, porque permite tanto sofrimento físico e psicológico, crueldades, injustiças?

Os Ensaios tiveram irónica réplica de Voltaire, na obra Candide, que representou Leibniz na pessoa do Dr. Pangloss, que perante todas as calamidades e crueldades do mundo, refere com constância que tudo ocorre para o melhor no melhor dos mundos. Também no extenso poema que escreveu sobre o terramoto de Lisboa de 1755, volta a atacar frontalmente o optimismo de Leibniz.

Ao que parece, Leibniz julga que Deus escolheu o mais perfeito dos mundos possíveis, mundo esse, que não sendo perfeito é o que mais se aproxima da perfeição.
Desta opinião não comunga Aristóteles, quando afirma que seria melhor não termos nascido, mas que se tal ocorreu, o melhor será morrer quanto antes.
Esta é uma questão que não nos abandona, principalmente em épocas de crise. Na noite escura dos dias, é a interrogação que nos domina ao adormecer, muito em especial, quando confrontados com todo o sofrimento que emana deste planeta, fruto da natureza ou das mãos do homem, em regra, criatura vil e mesquinha, carrasca do seu semelhante. E mais nos assoberba, na aproximação de nova catástrofe.

Será que de um Ser absolutamente perfeito poderá nascer algo tão imperfeito como o mundo em que vivemos? Será que um Ser omnipotente permitirá a execução de tantas e tamanhas atrocidades cometidas contra os desvalidos? Será que um Ser omnisciente não conseguiu prever o sofrimento que a sua criação iria causar? Seria esse Ser impotente para conjecturar e dar à luz, um mundo quase perfeito e não o inferno que gerou para a maioria da humanidade?

Leibniz, é mais do que um optimista, é um excelente advogado de Deus. Pena é, que não me conforte e permita adormecer na sua “fé filosófica”.




O AMOR FORTE COMO A MORTE NÃO VIVE ONDE NASCE, MAS NO QUE AMA



O amor gratuito e forte, com a força da própria morte, não vive onde nasce mas no que ama.




SEM MORTE NÃO HAVERIA FILOSOFIA



Segundo Aristóteles, a filosofia nasce do espanto que os homens sentem perante o mundo.
Contudo, a sua essência é a ignorância dos grandes mistérios. Do mistério da morte e de todos os que com ele convivem.
Assim, a filosofia surge essencialmente, porque os homens estão inelutavelmente condenados à morte.

Sem morte não haveria filosofias.




SABER COM HUMILDADE DESCER AOS PEQUENINOS, FAZ-NOS SUPERAR OS GRANDES



Saber com humildade descer aos “pequeninos”, faz-nos superar os “grandes”.




NÃO GASTES AS TUAS PALAVRAS COM QUEM ATÉ O SILÊNCIO ENTENDE



Não gastes as tuas palavras com quem até o silêncio entende.




ENTREMOS ARMADOS DE UMA MENTE INOCENTE NA NOSSA ESPLÊNDIDA MORADA DE PAZ




“Um pobre e esplêndido poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: «Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades.” Eu creio nessa profecia de Rimbaud... Sempre tive confiança no homem. Não perdi jamais a esperança. Por isso talvez tenha chegado até aqui com a minha poesia, e também com a minha bandeira. Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o porvir foi expresso nessa frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.
Assim a poesia não terá cantado em vão.” – Pablo Neruda, Discurso do Prémio Nobel.

Só dois poetas com o excelente carácter de Rimbaub e Neruda poderiam ter assentido em tal premonição, não obstante tenham olvidado a natureza impermanente e selvática da humanidade. 
Só uma paciência eterna nos permitiria entrar nas esplêndidas cidades de luz. Numa atitude que não é pessimista, antes realista, diremos: 
Entremos já armados de uma mente inocente na nossa esplêndida morada de Paz. 




A FAMA É AVE MIGRATÓRIA CONDENADA À EXTINÇÃO



A fama é uma ave migratória condenada à extinção.




A ANTIPATIA É MUITAS VEZES CIÚME E INVEJA TRAVESTIDOS



Quantas vezes a antipatia mais não é do que ciúme e inveja travestidos?


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ACAUTELAI-VOS DOS MANSOS DE ESPÍRITO



Acautelai-vos do homem cuja personalidade denota mansidão de espírito: “A besta mais mansa é a que dá o maior coice”.




O VAZIO DA MENTE É O ESPAÇO DO PRÓPRIO COSMOS



O vazio da mente é o espaço do próprio Cosmos.


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SÊ HUMILDE, NÃO SEJAS SERVIL



Sê humilde.
Não sejas servil.




AS MINHAS LIÇÕES DE VIDA



As maiores lições que recebi na vida, foram-me ministradas não por catedráticos e outros “papagaios”, mas por homens simples e humildes.




QUE INVEJA TENHO DAQUELES CUJA FÉ MOVE MONTANHAS



Que “inveja” tenho daqueles cuja fé move montanhas e torna as águas seguras na travessia da vida.




NUNCA DESISTAS DE LUTAR POR TI E PELOS OUTROS, PRINCIPALMENTE PELOS QUE SOFREM



A luta não é alegria. A luta nasce do sofrimento, não devendo por respeito aos que sofrem ser parodiada.
Apenas quando os seus objectivos são atingidos, se poderá dizer que a luta é a única alegria dos desvalidos.




NA SOCIEDADE ACTUAL A DESCONFIANÇA É UMA VIRTUDE



Tanta erva ruim nos campos ocupando-os sem misericórdia.
Tanta erva boa crestada pela geada.
O que é mau viceja.
Na sociedade actual a desconfiança é uma virtude.




PREFIRO ENFRENTAR UM INIMIGO HONRADO E FRONTAL A MIL AMIGOS COBARDES E FALSOS




Prefiro enfrentar um inimigo corajoso, austero, frontal, a mil amigos cobardes, falsos, elegantes e dóceis.




FURTAR IMPUNEMENTE



Havendo na aldeia salteadores com condenação judicial, todos os outros podem furtar impunemente. 




O UMBIGO DA POPULAÇA



A consciência da populaça é um espelho embaciado onde a imagem reflectida é interpretada em consonância com o umbigo de cada um.




CUIDA DO TEU FILHO ENQUANTO CRIANÇA



Cuida do teu filho enquanto criança. Não te eximas a esforços. Em adulto, será pai de si mesmo e da sua prole.




SEM ABERTURA DE ESPÍRITO NÃO PODE EXISTIR COMPREENSÃO



Sem abertura de espírito, mais do que mera tolerância, não pode existir compreensão.




COMO É FÁCIL DAR CONSELHOS E DIFÍCIL EXERCER A CARIDADE



Como é fácil dar conselhos. Como é fácil emitir juízos de valor quanto ao mérito ou demérito das acções de outrem. Mas, quantos são os que prestam o leal auxílio aos que criticam? Preferem vilipendiá-los, calcando-os, para que do solo não se ergam obstando à sua actividade predilecta, a maledicência.




SÓ PARECE EXISTIR UMA CERTEZA NA VIDA



Só parece existir uma grande e inquestionável certeza na vida:
- Tudo o que nasce há-de morrer.
Morrerá mesmo?... Ou terá nascido?...




O ABRIGO DA MALEDICÊNCIA E DO ÓCIO



A copa da tília grande do largo da minha aldeia é abrigo de maledicência e ócio. Apenas quando troveja, fica solitária e em paz.




APRENDEMOS COM OS NOSSOS ERROS, MUITAS DAS VEZES TARDIAMENTE




Aprendemos com os nossos erros. Erramos, voltamos a errar, subsistimos no erro, até que por tanto errar, cessamos de o fazer. Pena é, que nessa altura, já tudo esteja irremediavelmente perdido.




ESFREGONA VELHA EM BALDE NOVO




O ignorante, ouve, memoriza, desvirtua os factos e tudo absorve, sem qualquer limitação ou censura, para depois, deles retirar as mais absurdas conclusões. 
Esfregona velha em balde novo!




EM COMBATE OCUPA A LINHA DA FRENTE



Em “combate” não te ocultes na retaguarda. Ocupa sempre a linha da frente. Daí, avaliarás com precisão, o risco e a eventual intensidade dos ataques do “inimigo”.




DO PANTEÍSMO



O panteísmo é a doutrina segundo a qual tudo o que existe é Deus. 
A história humana não é um processo degenerativo ou progressivo. É uma história estável de crueldades de mil e uma faces.
Como poderemos explicar a luta incessante dos seres e as terríveis catástrofes que no seu seio vingam?




A CARIDADE NÃO É CEGA, MAS MUDA



A caridade não conhece fronteiras, não tem idioma, crenças, aparência específica. Começa em nós e estende-se ao mundo. Não é cega, mas para ser caridade, é muda.




A QUEM É QUE A CASTIDADE APROVEITA?



A quem é que a castidade aproveita?
A mulher solteira, quando casta, casa sem conhecer as vantagens ou desvantagens dos apelos de amor carnal.
A mulher casada, se casta e mal servida, sofre as mais horrendas torturas psicológicas.
A que renuncia ao sexo, por dele não sentir necessidade, nunca conhecerá o paraíso em vida.
A viúva, cuja castidade é de todas a mais meritória, morre afogada em desejos.




SER FELIZ É TER O BEM DENTRO DE SI



Ser feliz é ter o Bem dentro de si.




DA CALÚNIA



A calúnia é uma arma de arremesso empunhada por invejosos, hipócritas e mitómanos, que por onde passa tudo arrasa sem se afadigar, poupando o maldoso e torturando o virtuoso. E se não se cansa nem se farta, deixa o seu rasto por todo o lado, sujando inocentes, manchando homens de bem, enquanto o caluniador se limita a desaparecer de cena nesse sórdido acto teatral.
Abençoados os actores que são indiferentes à calúnia e ao louvor.




QUEM ESTÁ DENTRO QUER SAIR, QUEM ESTÁ FORA QUER ENTRAR



Casamento, estudo e trabalho, assemelham-se nas suas consequências: o estudante quer trabalhar, o trabalhador gostaria de voltar a ser estudante, os casados solteiros e os solteiros casados... Ou seja, os que estão dentro querem sair e os que estão fora querem entrar.




O CELEIRO DO MÉDICO E DO CANGALHEIRO: DOENÇA E MORTE



Não há ninguém que mais aprecie a doença do que o médico e o farmacêutico. Já a morte é o celeiro do cangalheiro e do padre.




É NA CAMA QUE SE DESVENDAM OS MAIORES SEGREDOS



É na cama, debaixo dos lençóis, que os grandes segredos se desvendam.




O LADRÃO É O MELHOR GUARDA DOS TEUS TESOUROS



Não ensines o caminho dos teus tesouros a ladrões, nem por uma única vez, a menos que deles os faças seus guardiões.




O MUNDO ACESSÍVEL AOS NOSSOS TELESCÓPIOS



O mundo acessível aos nossos telescópios é uma ínfima fracção do infinito e a incomunicabilidade entre os diversos mundos habitados é meramente casual, muito especialmente por via das enormes distâncias que os separam. Afastamos assim a tese de que a quase impossibilidade de comunicação é fruto dos desígnios de um Criador.




A MAIOR MISÉRIA DE PORTUGAL



Portugal é um país de despesa improdutiva. Daí a sua pobreza.
Mas, a sua maior miséria é a incúria e incompetência dos seus governantes, a inoperância do sistema judicial e uma autoridade corrompida e viciosa.




TOLOS E HOMENS DE BEM ASSEMELHAM-SE



Os tolos assemelham-se bastas vezes aos homens de bem, e assemelham-se na sua ingénua credulidade. Aí, ambos, constituem-se como apetecido património de vigaristas, ladrões, velhacos e burlões, que à sua custa se divertem e enriquecem.




COMO PODE QUEM AMA VER FEALDADE NO QUE AMA?



Como pode quem ama ver fealdade no que ama? Só existe fealdade para quem não ama, porque quem pelo Amor é penetrado, não compara, interpreta ou julga. 




UM DEUS QUE SE BASTA A SI MESMO NECESSITA DE COMPANHIA?



O Universo é produto de mera casualidade, nada indiciando que tenha sido criado.
Pensemos num ser superior, omnipotente, omnipresente e omnisciente. Algo auto-suficiente, que se compraz com a sua própria e perfeita existência.
Que necessidade imperiosa o poderia compelir a criar o mundo?




CORTESIA E DELICADEZA, SIM, SUBSERVIÊNCIA, NUNCA



Cortesia e delicadeza, sim.
Subserviência, nunca!




UMA MULHER NÃO SE CONQUISTA



Uma mulher não se conquista. 
Fica tranquilo, sê quem és e deixa que seja ela a conquistar-te.




OS GRANDES HOMENS - CEGUEIRA PATÉTICA



Os que ontem eram estimados, reconhecidos e vangloriados, amanhã serão vilipendiados, olvidados e maltratados. Como é que os “grandes homens” disso se não apercebem? Como é que na sua grandeza, ignoram uma verdade tão óbvia, com constância confirmada pela história?
Nas costas dos outros vemos as nossas!
Eles não. De “grandes” nada têm e a sua cegueira é voluntária, insípida e patética.




UM MUNDO DE IDIOTAS



Neste mundo de idiotas, apenas os loucos – nomeados ou diplomados – e os humoristas estão habilitados a expressar a verdade. Uns porque ou estão desprovidos de juízo ou o fazem crer, e os outros porque são “palhaços”.

Os que afirmam a verdade incómoda, se o não são, passam a ser reputados como tal, assim justificando a sociedade, o naturalmente injustificável.




QUANDO O ABSOLUTO SURGE NASCE O ANONIMATO



Quando o Absoluto surge, nasce o anonimato.




ORAR A DEUS E A SATANÁS



Acautelai-vos com as orações extensas e despropositadas. O vosso deus deverá estar cansado e deprimido com tanta pedinchice. Suponde que o irritais; não se poderá virar o feitiço contra o feiticeiro? 
Aproveitai quando rezardes na altura do “passamento”. Não estareis em condições de fazer exigências. Suplicai breve a Deus e a Satanás, pois não sabeis em que mãos ireis cair.




PALAVRAS ENGANADORAS FAZEM PRIMEIROS-MINISTROS E BISPOS



Palavras brandas, doces gestos, frases dóceis, ainda que manifestamente enganadoras, convencem sempre a populaça.
Não é preciso saber mais do que isto, para que se seja primeiro-ministro ou bispo de uma qualquer religião.




ENQUANTO A CALÚNIA VIAJA, A VERDADE DORME



A calúnia paira no ar, atravessa montes, vales, galga rios e oceanos. Pode estar em toda a parte, enquanto que a verdade ainda repousa, sem que se aperceba da necessidade de a destruir.




MUITOS HOMENS SÃO COMO OS COELHOS: QUANDO NÃO DORMEM, COMEM



Muitos homens são como os coelhos: quando não dormem, comem. Esqueçamos o restante, dada a época de anorexia sexual que atravessamos...




O POVO DA MINHA ALDEIA É UM MEALHEIRO PARTIDO



O povo da minha aldeia é um mealheiro partido. Por cada velho sábio que nos abandona, uma moeda é retirada e com ela se perde um grão de sageza.
Poucos grãos restam. 
Pouco resta para que a minha “universidade” se transforme num covil de ignorantes ajuramentados.




METAFÍSICA - DA MORTE




Numa primeira análise, a morte é um facto biológico, fisiológico, que atinge todos os seres vivos que detenham um corpo. A corrupção orgânica, equivale à destruição da existência, daquela existência particular, enquanto tal. Aqui, interessa-nos enquanto questão metafísica.
A morte, surge-nos por vezes como uma consolação: todos morremos, ricos e pobres, poderosos e desvalidos, sacerdotes e ateus, médicos e enfermos. A morte igualiza-nos. Se todos nós não fomos ouvidos para nascer, também não o seremos para morrer.

Platão, que na tradição socrática define a morte como a separação da alma espiritual do corpo, identifica no diálogo Fédon, a investigação filosófica com a purificação da alma e com a preparação para a morte – entendida esta, como a libertação final. Daí, nasceu na filosofia, e em filósofos de nomeada, o facto da morte se constituir como, senão, o problema mais importante da filosofia, pelo menos um dos mais importantes – Platão, Agostinho, Cícero, Schopenhauer, Kierkegaard, Heidegger, para só citar alguns. Schopenhauer, faz inclusivamente depender a filosofia da determinante experiência da morte, quando afirma que sem esta, inexistiria aquela. Schelling pergunta-se se a morte será apenas um nada, ou um nada que destrói o pensamento?
Movimentamo-nos na área do conhecido e a morte termina com este e com o nosso corpo.

A morte é inelutável. Podemos perseverar no seu olvido, submetê-la aos mais redundantes e ardilosos raciocínios, ou ainda acreditar piamente como crianças crescidas na reencarnação ou na ressurreição. Se por um lado nos reduz à incontestável condição de finitude corpórea, por outro, tem-nos dado a esperança de uma continuidade feliz, que é a imortalidade. Seja como for, a nossa acção, quer busquemos refúgio na igreja, quer num qualquer livro – “sagrado” ou não –, ela acompanhar-nos-á por toda a nossa vida. E se nem sequer compreendemos a vida como poderemos compreender a morte?

Não podemos discutir ou fazer acordos com a morte. Poderemos nós adiá-la, induzi-la à concessão de um prazo favorável que nos permita concluir os nossos mesquinhos projectos? Obviamente que não. A inevitabilidade não admite concessões.

Vida e morte caminham de mãos dadas na floresta da existência. Só se vive quando se morre e morre-se para viver. É pela morte que nasce o inteiramente novo e são exterminadas as velharias imprestáveis armazenadas no cérebro. 

A vida eterna, será mais do que uma mera existência em cada momento do tempo futuro? Não será antes – como afirmam alguns teólogos – um estado que independe do tempo, onde não há antes, não há depois, e por tal motivo, inexiste qualquer possibilidade de mudança?

Para o iluminado, vida e morte são a mesma face da mesma moeda. 
O que os filósofos julgam que espera os homens após a morte, não é o que julgam. A vida nasce da morte e a morte da vida. 
A idade deveria conceder-nos o dom da aceitação da morte, o que seria sinónimo de sabedoria. No entanto, concede-nos apenas um medo indestrutível, consequência da nossa ignorância e desprezo pela vida. 
Quando se morre, desconhece-se de quem é o ganho: se de quem parte, se de quem fica.

O que está para além da morte é uma incógnita, um mistério metafísico. Sócrates tinha a esperança da existência de algo para além dela, que segundo a tradição e as crenças estabelecidas, seria muito melhor para os bons do que para os maus. Se realmente a morte nos libertasse de tudo, que boa sorte seria para os maus, ao morrerem, verem-se desembaraçados quer do corpo quer do mal e da sua maldade, ao mesmo tempo que da alma – veja-se de Platão, o Fédon.

A morte, esse fenómeno extraordinário, para ser compreendida, tem de o ser com o amor, apenas o amor a pode penetrar. Quando morremos psicologicamente estamos a conviver com a morte e saberemos o que é morrer, quando isso acontecer no plano físico. 
Quando morremos para o conteúdo da memória, para o passado, para os nossos pensamentos, em suma, para o “eu”, somos introduzidos na criação e renovação, no mistério da morte, que afinal não é mistério nenhum. A erradicação do pensamento, neste sentido, não é uma fuga à incapacidade de erradicarmos a ideia de morte.
Se de instante a instante morremos para os acontecimentos quotidianos, para o ódio, ciúme e outros estados negativos, para o prazer, desejos apegos, para o sofrimento, para os problemas que nos afligem, para o que contemplamos, estaremos em contacto directo com a morte, essa realidade tão temida.
Com a cessação do pensamento há purificação, alegria, inocência. A morte do velho traz o júbilo do inesperado. Para além da morte está o sempre novo. E para além da morte existe algo. Mas, sois vós que tendes de o descobrir; não eu por vós, nem concílios, igrejas, gurus ou quaisquer santos e videntes.




DEUS CRIOU A MULHER PARA RELEMBRAR AOS HOMENS OS SEUS ERROS



O homem esquece-se muito rapidamente dos seus erros, mas Deus criou a mulher para constantemente lhos relembrar.




CADA FEIRA TEM UM TOLO



O povo da minha aldeia, sempre disse que cada feira tem um tolo que a identifica e distingue.
Em criança, identificava-o e logo sabia se estava no S. Bartolomeu, na Santa Eufemia ou na Senhora da Saúde.

Hoje, que esses felizes homens já desapareceram, continuo a identificá-las, não por um louco, mas por todos os asnos que as frequentam. 

E sinto saudades desses tolos. Homens bons, maltrapilhos, à escuta de um copo de vinho, de febra em quarto de trigo ou de uma sardinha. Homens sem maldade, inocentes tais crianças. Homens doidos, mas verdadeiros e belos nos seus andrajos sujos e esplêndidos.

E tenho saudades. As saudades que ninguém tem, porque nunca os souberam amar.




POETA, PINTOR E LOUCO TÊM UM DENOMINADOR COMUM



Poeta, pintor e louco têm um denominador comum: na sua arte tudo lhes é permitido.




O AMBICIOSO NÃO VALE SEQUER O QUE TEM



A personalidade do homem ao longo dos tempos tem sido moldada pelo trabalho, pelos bens materiais de que consegue dispor e pelo poder que alcança.
Daí a crise terrível que nos ameaça, onde cada um nem sequer vale o que tem.




A MAIS BELA HISTÓRIA DE AMOR



A mais bela história de amor é escrita a dois com um único coração inspirador.
Começa como todas as histórias:
Era uma vez...
E só será a mais bela se decorridas décadas, puderdes escrever tão somente:
... uma história de amor, de um velho amor, todos os dias renovado.




O HOMEM É UM ACIDENTE NA LONGA EVOLUÇÃO DA VIDA



O homem é apenas um acidente na longa evolução da vida, cuja espécie dura há cerca de dois milhões de anos e está condenada ao desaparecimento, dando lugar a novas espécies num ciclo eterno e imperscrutável.




A BELEZA NÃO SE PÕE NA MESA, MAS ESVAZIA-A BASTAS VEZES



Diz o povo que “a beleza não se põe na mesa”. Mas, infelizmente, deitada no leito, muitas mesas esvazia quando cega com o seu poder ricos e pobres, homens lúcidos e tolos, catedráticos e idiotas. E, mesmo que apenas tenha a profundidade da pele, será sempre rainha, ainda que por um dia.




O BIG BANG É APENAS UM MOMENTO NA ETERNIDADE, NADA MAIS



Não podemos considerar o big bang como o começo de tudo, daquilo a que chamamos um tanto impropriamente universo, já que apenas nos referimos a uma parte do todo e cujos limites desconhecemos. Um mundo num conjunto infinito de mundos.
O big bang é um dos momentos da eternidade, um fenómeno de continuidade dos infinitos mundos em constante dissolução e agregação, congregados numa eterna dança e luta cósmica.




UM CONJUNTO INFINDÁVEL DE MUNDOS



A matéria é um mundo complexo de energia e de luz.
Se me fosse dado um novo sentido ou o aperfeiçoamento dinâmico da visão, veria que a matéria é uma condensação de luz, em diversos padrões, num deslocamento incessante a uma velocidade estonteante.
A vida, em essência, é um fenómeno uno, com inúmeros participantes, partículas de um Eterno-Infinito num conjunto infindável de mundos, cujo único sentido é a existência.




AS ASPIRAÇÕES DO SER HUMANO



Quando afirmamos que cabe nos desígnios do universo o objectivo de ganhar consciência de si mesmo através do cérebro humano, mais não fazemos do que valorizar o que pouco ou nenhum valor tem.
O homem é um pequeno conjunto de carvão impuro e água a arrastar a sua impotência sobre um planeta sem importância.
As aspirações do ser humano estribam-se nas mais estúpidas das ilusões.




QUEM SOU EU? ESTARÁ O MUNDO DIVIDIDO ENTRE ESPÍRITO E MATÉRIA? SEI LÁ!



Quem sou eu?
Um acidente na longa evolução, um filho das estrelas e irmão dos planetas, o resultado da vontade de um ser superior, um ente obrigado ao aperfeiçoamento para que se possa furtar à roda dos nascimentos e da morte ou destinado ao paraíso e à presença de Deus?
Um ser composto de três princípios: o físico de origem terrestre – o corpo, um verdadeiro objecto –, o astral – corpo subtil – e o espiritual de origem divina – o espírito
Estará assim o mundo dividido entre espírito e matéria?
Possuo uma alma? E essa alma é imortal? Existe desde sempre ou foi criada? Se o foi, em que momento ocorreu a sua criação?
Donde venho carrego pois, comigo, essa alma?
Para onde vou, apenas irá essa alma vazia de todo o conteúdo cerebral, do ego enquanto sede do prazer e da dor?
Quem sou eu? – pergunto-me com constância nas noites de insónia e aguda inquietação.
O que restará de mim no meu decesso? Uma alma com energia independente da material, cuja essência é determinada pela existência, inteligência e felicidade absolutas?
Não podemos excluir o facto de que a minha alma – a existir - e o universo, não sejam outra coisa que não Deus.
Nesta perspectiva, pesquisar a alma é pesquisar Deus. 
Continuemos essa pesquisa...



PORQUE EXISTE ALGUMA COISA EM VEZ DE NADA? - PORQUE HÁ DEUS



Porque é que existe alguma coisa em vez de nada? Porque há Deus. “Não há vazio, logo há um Deus” (Pascal). Interessante, mas pouco convincente.




AFECTOS E RAZÃO



Os afectos mais profundos, os que se encontram no coração, não permitem a intervenção da razão ou limitam-se a cegá-la.




NESTE MUNDO ANDA TUDO ÀS AVESSAS



Ao acordar, sem que tal estivesse minimamente destinado ou sequer previsto no meu espírito, retirei da estante um livro de S. Tomás de Aquino, onde li:
“De entre os factores que podem mudar o homem, alguns são fisiológicos e outros psicológicos. Os últimos podem ser sensíveis ou inteligíveis e os primeiros podem ser práticos ou teóricos. Dos primeiros, o mais forte é o vinho, dos segundos as mulheres; dos terceiros, o poder de governar, dos quartos, a verdade. Devem ser subordinados uns aos outros na ordem inversa.”

Neste mundo anda tudo às avessas…




ENVELHECER COM SABEDORIA E MORRER COM SERENIDADE



Envelhecer com sabedoria é uma das últimas artes do homem, apenas suplantada pela que nos faz morrer com serenidade. Esta última, é indubitavelmente a mais excelente dentre elas.




S. JERÓNIMO - A SOGRA DE DEUS



S. Jerónimo, doutor da Igreja ocidental – tal como Santo Ambrósio, Santo Agostinho e o Papa Gregório Magno –, essencialmente conhecido por ter sido o tradutor da Bíblia na versão oficial da Igreja Católica, escreveu à mãe de sua filha Eustochium, aquando dos votos desta: “Custa-te que ela escolha ser mulher de um rei – Jesus Cristo – e não de um soldado? Ela deu-te um alto privilégio; és agora sogra de Deus.” Uma freira é esposa de Cristo.

Poderá este casamento ser dissolvido pelo divórcio?




O TRABALHO DOS PROSTITUTOS



Será o trabalho uma causa de felicidade ou de infelicidade?
Será preferível à ociosidade, mesmo que monótono ou excessivo?
Porque é que os ricos continuam a trabalhar como se fossem pobres?
A primeira função do trabalho é prover à subsistência do ser humano. A segunda, porventura, prende-se com a aniquilação do tédio, porquanto a quase totalidade dos homens desconhece o modo de ocupar o seu tempo.
Existem trabalhos que são verdadeiros actos de prostituição:
“Se alguém perguntar aos jornalistas americanos ou ingleses se acreditam na política dos jornais em que trabalham, verificará, suponho, que apenas uma pequena minoria acredita; os restantes, para ganharem a vida, prostituem o seu talento ao servirem objectivos que julgam ser nocivos.” (Russell). O mesmo se diga, entre outros, dos políticos enquanto sujeitos à disciplina partidária e dos advogados enquanto "ludibriam" a justiça em benefício dos seus clientes e das suas bolsas.




PARA QUE QUERES TU, TOLO, UM EU?



Em S. Tomás o universo é composto por um conjunto hierarquicamente ordenado de entes. 
Deus é aquele cuja essência é igual ao ser. O mais simples e o mais perfeito dos entes.
Seguem-se-lhe os anjos, cuja essência é simples e a que acresce o ser.
Depois, o homem, que tem uma essência composta – matéria e forma imortal – e ser.
Para além do homem, todos os outros seres, que são os mais compostos e os menos perfeitos – as coisas compostas são as mais fáceis de conhecer e é através delas que ascendemos ao conhecimento das simples –, constituídos por ser e por uma essência composta de forma mortal e matéria.
A essência de uma coisa é aquilo que ela é.
Qual é a nossa essência? Quem sou eu?
Aqui estaria bem adequada a resposta que um velho Mestre Zen deu a um jovem discípulo:
- Para que queres tu, tolo, um “eu”?




VIVE MAIS O SÁBIO NUM ÚNICO DIA, DO QUE O ESTULTO EM NOVENTA ANOS



Podemos comparar a vida em função do tempo? Provavelmente, não.
Vive mais o sábio num único dia, do que o estulto em noventa anos.




COMO SOIS TOLOS!



Se as minhas reflexões incidissem sobre receitas milagrosas para o sofrimento psicológico, se mais não fossem do que sementes de infantis ilusões, quantos leitores não teria, quão vasta não seria a minha audiência?
Se me restringir aos factos e vos demonstrar a inexistência de “caminho” e de milagres, serei alvo de desmotivação e desinteresse.
Como sois tolos!




QUE ESTRANHO SENTIMENTO ESTE O DO ÓDIO



Que sentimento estranho este do ódio. Existirá algo ou alguém que mereça tal inquietação?
Só o amor dissipa o ódio. Onde existe o amor não pode vicejar a raiva e o ódio.




O MAL FAZ PARTE DA NATUREZA HUMANA



O mal faz parte da natureza humana, como o Sol do sistema solar. “A julgar pelos nossos desejos inconscientes, não somos mais do que um bando de assassinos.” (Freud)





EXISTE A MATÉRIA OU O MUNDO É UM SONHO?



Existe a matéria ou o mundo é um sonho repleto de ocorrências e mudanças ininterruptas?
Tantas vezes o cobre nos pareceu ouro, o vidro diamante e a corda ao crepúsculo perigosa serpente, que abandonamos definitivamente a nossa confiança nos sentidos.
Estes, não nos enganam no todo. Se não nos permitem ver a realidade tal qual ela é, permitem-nos a percepção possível. Mas, a razão não tem motivos para se vangloriar, já que também está sujeita aos erros e limitações, que lhe são por natureza inerentes.




NADA EXISTE NO ENTENDIMENTO QUE NÃO TENHA ESTADO PRIMEIRO NOS SENTIDOS



A máxima de “que nada existe no entendimento que não tenha primeiro estado nos sentidos”, não deve ser interpretada num sentido literal e redutor. Os sentidos são incapazes de nos fornecer todos os objectos do entendimento, não obstante ocupem uma posição privilegiada no conhecimento que temos do mundo.




TIRANIA DEMOCRÁTICA - ESTE PAÍS FERRUGINOSO



Neste país ferruginoso, bocejam os pobres e arrotam os políticos na companhia de seus vastos séquitos. A tirania democrática cavalga a ignorância e a paciência deste povo abúlico.



FILOSOFIA, TEOLOGIA E RELIGIÃO MUITO DIZEM,MAS POUCO CONVENCEM QUEM SOFRE



A filosofia, tal como a teologia ou num plano mais simplificado, a religião, muito podem dizer, mas pouco convencem quem sofre, tal como a mãe que vê o seu filho ser estropiado numa guerra cujas motivações não alcança, o homem que vê desaparecer toda a sua família à passagem de devastador furacão ou, àquele cujo corpo minado de doenças vegeta numa velha cama coberto por trapos imundos.




domingo, 18 de janeiro de 2015

DA ARTE




O artista é a origem da obra de arte. A obra de arte é também a origem do artista (Heidegger) – a origem de uma coisa é a proveniência da sua essência, que é o que uma coisa é como é.
No entanto, quer artista quer a sua obra dependem da arte.

Se com Kandinsky – Do Espiritual na Arte -, podemos concluir que a obra de arte é filha do seu tempo e por vezes mãe dos nossos sentimentos, já não estamos certos de que a arte seja uma forma de projectar a luz, nas profundezas do coração humano (Schumann). De uma forma simples e convencional, a arte apresenta-se-nos como a procura do belo – se optarmos pela definição de belo, entraremos no círculo vicioso a que nos procurávamos eximir – e aí terá uma forte componente decorativa. Uma obra bela será aquela para a qual não nos cansamos de olhar ou que podemos escutar sem enfadamento. 
A obra de arte – referimo-nos agora à pintura – deverá suscitar emoções que não sejam traduzíveis por palavras ou por quaisquer outros símbolos, não relevando aqui as opiniões dos obsoletos críticos, mas a forma como é vivenciada na generalidade.

Heidegger afirma, que as considerações por si tecidas na obra A origem da Arte, concernem ao próprio enigma da arte, o enigma que ela é em si mesma. E, não o desvendando, limita-se a constatá-lo.

Um quadro meu é uma improvisação e uma meditação inconsciente do infinito. Não tem outro intento que não seja o plasmado no espaço pictórico, sem princípio ou fim, dominado em regra, pela cor que conduz pela sua profundidade o nosso olhar para a infinitude. E, antes de ser verdadeiramente espiritual, deverá ser decorativo e agradável aos sentidos.